Monday, September 17, 2018

A paisagem (o corpo da minha tribo)

Publiquei este post em setembro de 2010, no meu blog Clareirazinha. Hoje trago-o de volta, porque sim. ;)

Para mim a Galécia é, antes de mais, a terra: os carvalhos e as pedras que, mais do que me dizerem quem são, dizem-me quem eu sou. E quem eu sou é um eco que eu não encontro noutros lugares, por maior que seja a sua beleza ou antiguidade, o que é quase impossível de explicar a um cidadão do mundo, como o meu marido e como a maior parte dos meus amigos. Mas, mesmo não sendo entendido pelos outros, contínua a ser esse o meu sentir. E a Galécia é a terra que me diz quem eu sou.

Há lugares, por esse vasto e maravilhoso mundo, que me deslumbraram e que ficaram para sempre guardados nas minhas memórias. Há outros que me transformaram, que me deram esse sentir ainda mais raro: a chegada – o sentimento simples e, ao mesmo tempo, arrebatador de chegar, a sensação de que aquele lugar é uma meta na minha viagem. - Contudo, volto a repetir: a Galécia é a terra que me diz quem eu sou, a cada instante e a cada passo...

A paisagem agreste e montanhosa do nordeste transmontano moldou-me, desde os meus primeiros anos. Na minha infância, o rio chamava-se Tuela. E Montesinho é ainda a terra onde não há memórias das primeiras vezes, ao contrário do Gerês, que comecei visitar apenas na idade adulta, mas pelo qual senti de imediato um amor igualmente intenso. E, de verdade, poucos lugares são, para mim, comparáveis à velha Mata de Albergaria, que em cada encontro me redefine.

A primeira vez que percorri as pedras gastas da velha Citânia de Briteiros, por um estranho acaso no dia do Lughnasadh, é bem mais do que uma memória, é um instante eterno que ainda ecoa dentro de mim, recriando um momento em que me senti estranhamente inteira, como se só nesse instante tivesse encontrado uma parte de mim que eu nem sequer sabia que estava em falta.

E o que é que, nas minhas memórias, se pode comprar à chegada, quase ao pôr-do-sol, a Finisterra? O terminus de uma viagem de vários dias que percorreu toda a Costa da Morte, numa travessia de saudade, profundamente marcada pelo Espírito do Lugar.

Outro anoitecer. O final de um dia no Penedo Durão, ou a primeira vez em que parti do Porto e acompanhei no comboio as curvas do rio, saboreando o Alto Douro vinhateiro. Outras memórias, os mesmo lugares. Instantes que dentro de mim permaneceram eternos: encostas de caminhos íngremes e pedregosos, imensidão de amendoeiras em flor e a maravilha das gravuras rupestres de Foz Côa.

E para sempre a memória da subida à velha ruína de Penas Róias, também ao pôr-do-sol de um longo dia de verão, depois de um dia perfeito nas escarpas do Douro. Poucos lugares detém um significado tão absoluto, para mim. Penas Róias foi durante toda a minha infância um lugar mágico, antigo e distante. Era o cenário de muitas batalhas que alimentavam as minhas noites de inverno. Histórias contadas à lareira que partiam da Canção de Rolando e iam sendo reinventadas, numa miscelânea que, para a criança que eu era, fazia todo o sentido. A minha espada, que tantas vezes imaginei na infância e que só encontrei muito mais tarde. A minha espada maravilhosa com a cabeça de um leão no punho. A minha espada que não faz de mim uma guerreira, mas que eu tenho precisamente porque sou uma guerreira.

Uma longínqua ida a uma romaria que permanece como um dia luminoso e eterno. Um monte sagrado onde nunca mais voltei, uma das muitas montanhas da minha terra. Um santuário que mal recordo, mas guardo com carinho a memória da longa caminhada que começou ainda de noite, ao luar. Um dia intenso, pleno de alegria e de deslumbramento.

A primeira vez que me senti enamorada e o modo como, para sempre, dentro de mim, as estações de comboios e, em especial, a linha do Tua, ficaram associadas a algo que nos transporta para fora de nós mesmos, a uma estranha sensação de agigantamento.

Há muitas outras memórias, que se parecem com um sonho recorrente e que me levam sempre de volta a esta terra. Esta terra que me faz esquecer as minhas viagens por outros lugares. Esta terra que me viu nascer, esta terra onde hei-de morrer. Esta terra que é minha, porque está no meu coração. Galécia... a terra que me diz quem eu sou.

Friday, August 31, 2018

Conceitos

Wittgenstein dizia que era preciso ter consciência da desordem dos nossos conceitos e entender que isso era um problema, mas que esse problema poderia ser solucionado se os colocássemos em ordem.

Contudo, como não é habitual repensarmos as nossas ideias, não temos consciência da sua completa desordem e da crescente superficialidade de muitas delas.

Muitos dos nossos conceitos não passam de rótulos. E os rótulos, dando-nos a ilusão do conhecimento, afastam-nos cada vez mais da essência e da verdadeira sabedoria.

A título de exemplo, imaginemos que alguém me pedia um texto que tivesse religião, política, sexo e mistério. Parece complicado, não? Só é complicado na proporção da profundidade que eu quiser dar a cada um desses conceitos. Pode ser absolutamente superficial e simples:

– Meu Deus! – disse a filha de Donald Trump, – estou grávida e não sei quem é o pai.

Anedótico, bem sei. E não serão anedóticas muitas das nossas formulações – essenciais para o nosso crescimento, a nossa maturidade e a nossa compreensão do mundo e de nós próprios – sobre as quais nunca reflectimos?

Termino com uma fotografia da escultura de Rodin, O Pensador – Musée Rodin, Paris.
(Não sei quem é o autor desta fotografia, origem: net)



Thursday, August 30, 2018

Inteligência, imaginação e vontade

Quem me dera ser uma feiticeirinha de abril, como a bela jovem dos contos de Bradbury que, na quietude do seu pequeno quarto, era capaz de sonhar todos os sonhos do mundo.

Como é que se sonham todos os sonhos do mundo?...

Ocorre-me a frase do Pessoa, que diz «sou nada, serei sempre nada» e acrescenta: «à parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo».

Talvez para sonharmos todos os sonhos do mundo, seja preciso que aceitemos a nossa insignificância, que aceitemos que na vastidão imensa do universo somos e seremos sempre nada.

Sabermos e, mais do que isso, sentirmos que somos nada, liberta-nos. Como nos libertam o silêncio e a escuridão, quando deixamos de os estranhar e temer.

Santo Agostinho dizia que nós, na essência, somos uma tríade composta por vontade, memória e inteligência.

Se tu choras, eu nunca poderei conhecer o teu choro, mas posso intui-lo. Começo pela vontade, que me leva a querer conhecer o teu choro, segue-se a memória que, através das minhas experiências, me apresenta uma realidade similar à tua. Por fim, a inteligência compõe o quadro e cria o padrão da minha empatia.

Contudo, não será insignificante uma empatia que se baseia em experiências pessoais? E que valor poderão ter as minhas memórias? Tudo nelas é subjectivo, verdadeiro à luz das minhas sucessivas interpretações.

Substitua-se, então, a memória por imaginação. O que é que muda? A minha empatia deixa de estar limitada por um padrão criado pelas minhas experiências e passa a ser definida por uma infinidade de padrões, trazidos pela minha imaginação.

« (...)
As coisas que me cercam silenciosas
São almas a chorar que me procuram.
Quantas vagas palavras misteriosas
Neste ar que aspiro, trémulas, murmuram!

Vozes de encanto vêm aos meus ouvidos,
Beijam meus olhos sombras de mistério.
Sinto que perco, às vezes, os sentidos
E que vou a flutuar num rio aéreo...»

Depois deste excerto d'O Poeta, de Teixeira de Pascoaes, termino com uma questão: tudo o que a nossa imaginação nos dá, não são apenas sonhos? Talvez, mas como dizia Fellini: o que há de mais honesto do que um sonho? ;)


(A imagem é do artista extraordinário Frank Kelly Freas.)

Saturday, July 28, 2018

Pedra coração

Um artigo de 1905, publicado n' O Archeologo Português, fala-nos de um templo já desaparecido, em Trás-os-Montes, e que o autor comparou ao santuário de Panóias. Este templo localizava-se perto das margens do Tuela, na minha aldeia...

Deixo a única foto que conheço do templo, tirada em 1905, na vertente sul. Esta foto pouco ou nada mostra do templo desaparecido, contudo, para mim é profundamente significativa, porque mostra a face de uma pedra com o formato de um coração. Vi esta foto pela primeira vez em 2010 e impressionou-me imenso, por se tratar de uma pedra coração. Não fazia ideia. Contudo, toda a minha vida procurei pedras com o formato de um coração, pedras naturais, sem intervenção humana.. Sempre acreditei que essas pedras me mostravam o caminho de regresso a casa. E num dos momentos mais difíceis da minha vida, vi pedras coração por todo o lado, só que eu já não queria saber de nada daquilo. Então, num instante em que estava à sombra debaixo de um sobreiro, caiu em cima de mim um pequeno pedaço de cortiça, também com o formato de um coração. E eu voltei a acreditar nas minhas pedras.

Thursday, July 26, 2018

Eu vejo a lua

Um post de um amigo fez-me pensar em Rumi, assim, aqui fica o pensamentos dele que eu mais aprecio:

Vejo a lua
- ela não precisa estar cheia.
Eu vejo a lua
- ela não precisa ter nascido.


p.s. Já agora, deixo o link para o lugar dos meus sonhos e devaneios: Clareirazinha.

Monday, July 09, 2018

Destino

Começo com um excerto do rubaiyat de Omar Khayyam:

Admito que já resolveste o enigma da Criação;
e o teu destino? Aceito que desvendaste a Verdade;
e o teu destino? Está bem, viveste cem anos felizes
e ainda tens muitos para viver; e o teu destino?

Durante muito tempo, pensei que o meu destino era manter o meu coração puro e que estava irremediavelmente condenada ao fracasso.

Algo mudou, esta manhã.

Ontem, quando me deitei estava tristíssima, mas de manhã, ao acordar, já estava bem. Não sei exactamente por que razão me sentia feliz, talvez fosse apenas por ser um novo dia. Foi nesse instante que me ocorreu que, se era quase impossível manter sempre um coração puro, ele poderia, ainda assim, regressar integro e inteiro, todas as manhãs. Dentro de nós, um coração tão novo como o dia.

Na verdade, manter um coração puro talvez nem seja um destino, em si mesmo, mas é certamente a primeira etapa do caminho, qualquer que seja o nosso destino.

Wednesday, July 04, 2018

Percepção

Antes de começar a escrever, gostaria de alertar para o facto de as minhas verdades serem, em grande parte, verdades à La Palice. Mas são o que são…


A nossa visão do mundo, e consequente representação do mundo, com o foco no sujeito, em quem vê, é um conceito moderno.

O entendimento cartesiano da fenomenologia relaciona a transcendência do mundo, do que é visível, com a imanência da consciência de quem vê.

Nesta representação do mundo, não é o mundo em si mesmo que detém o foco central, mas sim o sujeito que vê.

Assim, na minha humilde opinião, não nos é possível ver o mundo dos deuses, a menos que nos libertemos do sujeito que vê, ou seja, a menos que nos libertemos da nossa consciência, que colocamos na nossa visão de cada parte do mundo.

Eu penso que não é possível, de todo, ver o mundo, tal como ele realmente é, a menos que o papel central deixe de ser de quem vê e passe a ser do mundo, em si mesmo.

Vasarely, no Manifeste Jaune, propôs que, ao olhar uma pintura, o sujeito suspende-se a sua consciência, que o olhar eliminasse a bagagem da significação, de toda a significação. Então, se quem vê se visse privado da sua consciência de ver, poderia ser visto pela pintura?

Eu considero esta abordagem absolutamente fascinante.

Contudo, por muito longe que nos levasse a reflexão do domínio da percepção, quer em termos artísticos, quer filosóficos, esse não é propriamente o objectivo deste texto.

Mas mantém-se a questão: os dois olhares distintos – o do sujeito que vê e que, no acto de ver, vê apenas e só através da sua consciência; e o do mundo, que nos olha de volta – podem coexistir num ponto, do espaço/tempo?

Eu considero que não.

Nesse caso, encontrar o mundo dos deuses é, apenas e só, ser visto por… e não ser o sujeito quem vê.

Assim, para encontrar o mundo dos deuses, eu teria que abdicar voluntariamente da minha consciência, abdicar da minha representação do mundo, abdicar da familiaridade de ver, deixando em suma de ser eu quem vê, para ser visto.

Como é que se altera esta percepção? Todos nós sabemos que há vários métodos, que não será preciso enumerar aqui. Há ainda os métodos inerentes a cada um de nós, pessoais e privados.

Contudo, novamente na minha humilde opinião, o primeiro passo para encontrar o mundo dos deuses é, precisamente, não o querer ver.

Se o sujeito, quem vê, nunca se liberta das suas representações, se tudo o que vê está imbuído da sua própria consciência, então, não entendo como poderá ver o mundo dos deuses. Mas, ainda assim, poderá sempre olhar precisamente para não ver, permitindo-se ser visto.

Dancing Fairies, 1866, by August Malmstrom,


Thursday, May 31, 2018

O corpo da tribo


De vez em quando, sinto a necessidade de fazer alguma coisa com aqueles terrenos em Trás-os-Montes, perto do Parque de Montesinho. Contudo, a tarefa é demasiado árdua para mim e acabo por não fazer nada. De resto, a verdade é que eu nem sequer sei o que se poderia fazer por lá… talvez limpar alguns caminhos, permitindo o acesso a vestígios arqueológicos muito interessantes, eventualmente sinalizá-los. Talvez criar uma ou outra estrutura.

Hmm, creio que é uma necessidade um pouco mais abrangente…

Já vos disse que é uma terra de lendas muito antigas? Mais do que preservar aquelas lendas em quaisquer folhas de papel, eu gostava de as devolver à paisagem, que sempre foi o corpo da tribo… para tal, seria preciso não só divulgar as lendas, mas também mostrar os lugares onde essas lendas aconteciam. Roteiros. Livros, certamente. Mas livros onde a paisagem é o elemento principal.

Tuela: o nome do rio, com mais de 20 castros, num percurso de cerca de 25 km. Grutas praticamente inexploradas, povoadas de lendas de mouras encantadas. Imensas florestas, velhas rochas graníticas cheias de covinhas.

Há um mundo antigo e mágico por lá, que ainda chama por alguns de nós… E eu temo que qualquer dia desapareça para sempre, na bruma. Mas, se nos juntarmos e nos apressarmos, talvez ainda possamos fazer com que esse chamamento permaneça para as próximas gerações.

Bem, se quiserem participar nesta aventura, contactem-me por favor.  :)

Thursday, October 19, 2017

Relação com a divindade

Nestes dois dias, com todas essas imagens de terra queimada na minha mente, não consegui deixar de pensar como tantas vezes, ao longo da minha vida, consciente ou inconscientemente, eu levei a minha relação com os meus deuses para terrenos onde pouco podia crescer.

A minha relação com a divindade foi sempre demasiada para a minha coragem. 

Sinto as palavras de Rilke como se estivessem vivas, dentro de mim. Sinto e sei que qualquer relação com a divindade é uma coisa viva, apenas intuída, nunca verdadeiramente compreendida, e que está muito para lá da nossa existência. 

Hmm… será que já não me vai faltar a coragem?... 


Tuesday, April 30, 2013

Um pequeno bosque

Boa tarde.

Permitam-me que lhes fale um bocadinho do meu bosque. Fica a cerca de 200km da minha casa e, por isso, não vou lá muitas vezes. Mas, dedico todos os dias alguns minutos àquele lugar. Mesmo assim, não consigo protegê-lo. O ano passado cortaram um jovem abrunheiro e deixaram-no lá, caído no chão. Não sei por que o fizeram. Disseram-me que talvez tenha sido «apenas» para experimentar o gume de uma foice. O que causa ainda mais tristeza... Bem, creio que nunca fariam isso a uma oliveira ou qualquer outra fruteira. O corte dos sobreiros e das azinheiras é proibido por lei, mas nem isso é respeitado. E, na mente dos meus conterrâneos, que importância pode ter um abrunheiro, um espinheiro-alvar ou um sabugueiro? Cortam-nos se lhe apetecer, mesmo que estejam em terras que não lhes pertencem.

Os teixos praticamente desapareceram, em parte devido aos pastores, que os cortavam sempre que os viam. O veneno do teixo condenou-o...e, pelo menos no meu mundo, das teixeiras já só há memórias. Tenho alguns pés a crescer em vasos, mas ainda não me atrevi a colocá-los no meu bosque.

Depois, bem depois há ainda os caçadores, sobretudo os caçadores furtivos. Há javalis que frequentemente percorrem o meu bosque e todos os dias peço aos deuses que olhem por aqueles belos animais, para que os seus trilhos sejam seguros. Contudo, a ameaça dos caçadores furtivos mantém-se bem real. Sei que muitos deles apanham os javalis com armadilhas. Cortam uma árvore, um freixo ou um carvalho e prendem-no à armadilha. Quando o animal é apanhado, não morre logo, corre em desespero amarrado a uma árvore, causado imensa devastação e sofrendo uma morte lenta e dolorosa. Nem é só a questão de matarem um animal, o que é pior é que o matam de um modo vergonhoso. E eu arrepio-me só de pensar nisso.

E temo também por um belo freixo que já faz parte de mim e que, infelizmente, está numa posição que o candidata a ser uma dessas árvores abatidas e presas às armadilhas.

Oh! Como eu gostava que o mundo fosse diferente...

Bem, na semana passada, descobri que as minhas aveleiras tinham desaparecido. Sei bem que o responsável foi o meu vizinho que, provavelmente, pensou que me estava a fazer um favor. Eram pequenos pés, plantados no último outono. Jovens rebentos imersos num mar de erva alta, que havia de ser tirada, com cuidado. Mas, antes que eu tivesse oportunidade de tirar a erva, o meu vizinho limpou essa parte do terreno com uma roçadora e lá se foram as aveleiras. Confesso que nunca pensei que as aveleiras corressem perigo...

Na verdade, no último Lughnasadh, que foi quando comecei a dedicar-me a este bosque/jardim, tinha uma visão de tudo isto bem mais romântica... Era um terreno que eu conhecia, mas onde já não ia há muito tempo. Quando lá voltei, deparei logo na entrada com um maravilhoso urzal, que me deixou num estado de espírito fantástico. Sentei-me num rochedo a observar uma águia. De repente, tive consciência da coincidência e senti-me transportada para a canção de Amergin, foi um momento de revelação. Fiquei com a convicção de que seria um caminho muito fácil de percorrer, mas isso não é verdade. É um caminho árduo, que me causa tristeza, mas também imensa alegria. Vou tendo fracassos - as minhas bétulas não nasceram -, mas também há sucessos - deparei com uma macieira silvestre, que eu nem sabia que lá estava, com uma floração magnífica, que me deixou com o coração em festa.

Contudo, não me sinto mais perto das respostas. Na verdade, nem sei ainda quais as questões que devo colocar. Mas, isso é a meta. E, de alguma forma, a meta deixou de importar. Podia dizer que é o calcorrear do caminho que é importante, mas eu nem sei bem se isto é um caminho, no sentido espiritual, quero eu dizer. É quanto muito um sonho. Um sonho que eu gosto de sonhar, só me custa saber que não sou capaz de proteger aquele pequeno bosque.