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Tuesday, December 15, 2009

KYMATICA

Kymatica, é o novo filme de Ben Stewart, músico e filósofo, criador do controverso Esoteric Agenda. Se é verdade que Ben Stewart insiste na teoria da conspiração e está muito voltado para os Estados Unidos, e nem tudo o que diz parece ser credível, também é verdade que nos incita a assumirmos as nossas repsonsabilidades e que nos apresenta uma visão diferente de vários temas espirituais.

Kymatica é um documentário de 2009 muito interessante e inovador, ainda que bastante controverso e, por vezes, pouco documentado. Mas, que nos apresenta ideias que merecem refexão. E que nos dá uma visão abrangente da espiritualidade, centrando-se na humanidade como um todo, focando a ideia da evolução e salvação de toda a humanidade e não tanto de cada indivíduo isolado.

Cymatics, do grego “κύμα” (kyma), que significa onda, e “τα κυματικά” (ta kymatica), que significa assuntos relativos às ondas, é o estudo dos fenómenos de onda.

Kymatica no youtube, traduzido.

Quanto a mim, confesso que me identifico com muito do que foi apresentado neste documentário, mas também há pensamentos do Ben Stewart que eu não partilho, de modo nenhum. E, se hoje fico por aqui, em futuros posts apresentarei a minha reflexão sobre alguns dos temas de Kymatica.

Monday, December 14, 2009

E se a vida fosse apenas uma viagem?

"Bill Hicks costumava terminar os seus espectáculos assim: a vida é como uma viagem num parque de diversões. E quando optas por viajar, julgas ser real, pois é o quanto poderosas as nossas mentes são. Na viagem, sobes e desces, andas às voltas, tens emoções fortes e é muito brilhante e colorida. Há muito barulho e é divertido por um bocado.

Alguns viajam há muito tempo e começam a questionar: será isto real? Ou é só uma viagem?

E outros lembram-se, viram-se para nós e dizem:

- Ei, não te preocupes, não tenhas medo, nunca. Isto é só uma voltinha.

E matamos essas pessoas.

- Calem-no! Investi imenso nesta viagem, calem-no! Olhem para a minha conta bancária e para a minha família... isto tem que ser real.

E é só uma voltinha. Mas matamos sempre aquelas boas pessoas que nos dizem: já reparaste?

Mas não importa, porque é só uma viagem. E podemos mudá-la sempre que quisermos.

É apenas uma escolha. Sem esforço, sem trabalho, sem profissão, sem poupanças. Só uma escolha, agora mesmo. Uma escolha entre o medo e o amor."


Retirado do filme Zeitgeist, disponível no google. Versão portuguesa aqui.

Tuesday, September 09, 2008

Sonho é destino.

"Há uma venerável tradição de feiticeiros, xamãs e visionários que aperfeiçoaram a arte da viagem onírica, o chamado estado de sonho lúcido, onde, ao controlarmos os sonhos, ao nos mantermos conscientes durante os sonhos, podemos descobrir coisas para lá da nossa apreensão no estado de vigília."

"Dizem que os sonhos só são reais enquanto duram. Não podemos dizer o mesmo da vida?"

"Muitos de nós cartografamos a relação entre mente e corpo dos sonhos. Somos chamados onironautas, exploradores do mundo dos sonhos."

"Há dois estados de consciência opostos, que não se opõem de todo. Na vigília, o sistema neurológico inibe a nitidez das recordações. Faz sentido a nível evolucionário. Seria inadaptado se um predador fosse enganado pela recordação de uma presa e vice-versa. Se a recordação de um predador invocasse uma imagem mental, correríamos sempre ao ter uma ideia assustadora. Os neurónios seratónicos inibem as alucinações. Mas eles próprios estão inibidos durante o sono. Isto permite os sonhos parecerem reais, mas impede a competição de outras percepções. É por isso que se confudem sonhos com a realidade. Para o sistema funcional da actividade neurológica que cria o mundo não há diferença entre sonhar uma percepção e uma acção e, na verdade, a percepção e a acção em vigília."

"Um amigo disse-me uma vez que o pior erro que se comete é pensar-se que se está vivo quando, de facto, se dorme na sala de espera da vida. O truque é combinar as capacidades racionais da vigília com as possibilidades infinitas dos sonhos. Porque se conseguirmos isso, conseguimos tudo."

"... ajudar as pessoas a ficarem lúcidas.
Elimina-se o medo e a ansiedade e depois é só rock'n'roll. "

"«Ficar lúcido significa saber que se está a sonhar?» Sim. Depois, podemos controlar os sonhos. São mais realistas que os sonhos não-lúcidos. "

"Antes de mais, tens de perceber que estás a sonhar. Reconhecê-lo. Tens de ser capaz de te perguntar: «É um sonho?» A maioria das pessoas nunca se pergunta isso, acordada ou a dormir."
"Dizem que o sonho está morto. Já ninguém o faz... Não está morto, foi apenas esquecido, retirado da nossa língua. Ninguém o ensina, por isso, ninguém sabe que existe. O sonhador foi banido para a obscuridade. Estou a tentar mudar isso, espero que também tu estejas, ao sonhares todos os dias."

"Sonhando com as nossas mãos e mentes..."

"Exercita a tua mente plenamente, sabendo que é só um exercício. Constrói objectos, resolve problemas, explora os segredos do universo. Saboreia o que captam os sentidos. Sente alegria, mágoa, riso, empatia. E leva a memória na mala de viagem."

"Pensamos que estamos tão limitados pelo mundo e pelos confins, mas estamos apenas a criá-los."

"Continua a tentar perceber o universo mas, agora que sabes que sonhas, podes fazer qualquer coisa. Estás a dormir, mas acordado. Tens tantas opções... e a vida resume-se a isso."

"Examina a natureza de tudo o que observas.
Podes dar contigo a atravessar um parque de estacionamento onírico. E, sim, são pés de sonho dentro dos teus sapatos de sonho. Parte do teu sonho. Portanto, a pessoa que pareces ser no sonho não pode ser quem és realmente. É uma imagem, um modelo mental."

"Durante anos, a noção de que a vida é um sonho tem sido tema difuso de filósofos e poetas. Não faz sentido que a morte esteja envolta num sonho? Que, após a morte, a vida consciente continue num corpo onírico? Seria o mesmo corpo onírico que na vida onírica de todos os dias, só que, no estado pós-mortal, não poderias voltar a acordar. Nunca mais voltarias ao corpo físico."

"... O que somos é apenas esta estrutura lógica. Um lugar para albergar, temporariamente, todas as abstracções. É altura de nos tornarmos conscientes, e dar forma e coerência ao mistério. Fazer parte disso é uma dádiva."


WAKING LIFE, RICHARD LINKLATER

Um sonho de uma onironauta:

Para recomeçar... do começo.

"Recuso-me a ver o existêncialismo como apenas outra moda ou curiosidade histórica, pois era algo importante a oferecer ao novo século. Receio que estejamos a perder as virtudes de viver apaixonadamente, assumindo responsabilidade por quem somos... fazendo algo por nós e estando bem com a vida. O existêncialismo é discutido como uma filosofia do desespero, mas acho que é o oposto. Uma vez, Sartre disse que nunca sentiu um dia de desespero na vida. Uma coisa que nos chega da leitura destes autores, não é tanto uma sensação de angústia mas, uma espécie de exuberância de se sentir acima da própria vida. É como se a vida fosse para ser criada por nós."

"... os nossos actos fazem diferença."

"A mensagem é: nunca devemos anular-nos e ver-nos como vítimas de várias forças. Quem somos é sempre decisão nossa."

"A demanda é ser-se libertado do negativismo, que é realmente a nossa própria tendência para o nada. Em se dizendo «SIM» ao instante, a afirmação é contagiosa. Explode numa corrente de afirmações que não conhece limite. Dizer «SIM» a um instante é dizer «SIM» a toda a existência."

"O momento não é apenas um vazio passageiro, um nada... é um vazio com tal volume que o grande momento, a grande vida do universo está a pulsar nele. E cada um, cada objecto, cada lugar, cada acto, deixa uma marca..."

"Sabes o que Benedict Anderson diz da identidade? Ele fala, por exemplo, de um fotografia de bebé. Pegas numa imagem a duas dimensões e dizes: «sou eu». Para realmente relacionares este bebé da imagem contigo mesmo, actualmente, tens de criar uma história. É necessária uma história, que é na verdade ficção, para te tornar a ti e ao bebé idênticos. Para criar a identidade.
As nossas células regeneram-se completamente de sete em sete anos... Fomos a todos os níveis várias pessoas diferentes. Contudo, permanecemos essencialmente nós mesmos sempre."

"Nós, os inquietos, continuamos à procura... preenchedo silêncios com desejos, medos e fantasias. Induzidos pelo facto de que, por mais vazio que o mundo parecesse, por mais degradado e gasto... tudo era possível. Dadas as circunstâncias certas, um novo mundo era tão provável como o velho."



"Se o mundo é falso e nada é verdadeiro, tudo é possível."



"Há dois tipos de sofredores: os que sofrem por falta de vida e os que sofrem por excesso de vida."

"O fosso entre Platão ou Nietzsche e o homem comum é maior do que aquele que existe entre o chimpanzé e o homem comum. O domínio do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, raramente é atingido. Porquê tão poucos? Por que razão a história e a evolução não são histórias de progresso mas uma interminável e fútil adição de zeros? Não se desenvolveram valores mais nobres. Os gregos, há 3 mil anos, eram tão avançados como nós. Quais são as barreiras que impedem as pessoas de alcançarem o seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada noutra pergunta, que é: qual é a característica humana mais universal? O medo ou a perguiça?"

"Não espero o futuro antecipando salvação, absolvição ou sequer esclarecimento. Acredito que esta perfeição defeituosa é suficiente e completa em todos os inefáveis momentos."
"A afirmação da liberdade resume-se à negação da limitação."


WAKING LIFE, RICHARD LINKLATER

Tuesday, January 24, 2006

Pequenas transcrições d`A lenda de Bagger Vance, um filme de Robert Redford

Bagger – O truque é encontrar o seu swing...
Junuh – O que foi que disse?
Bagger – Perdeu o seu swing... temos de encontrá-lo. Está algures... em harmonia com tudo o que existe. Com tudo o que existiu. Com tudo o que existirá.

...

Bagger a Hardy:
- Dentro de cada um de nós existe um swing próprio, autêntico. Algo com que nascemos, que é só nosso, que não se pode ensinar ou aprender. Algo que não podemos esquecer. Mas ao longo do tempo, o mundo pode privar-nos desse swing. Fica enterrado dentro de nós, sob o peso das desculpas que arranjamos para o que devíamos ter feito. Algumas pessoas até se esquecem de como era o seu swing...

...

Ainda Bagger Vance, a propósito de um jogador de golfe excepcional, para Junuh:
- Repare como ele pratica o seu swing. É como se estivesse à procura de algo. E depois encontra. Assegura-se que alcançou o estado de espírito desejado. Sente que está concentrado. Tem muitos tipos de pancadas por onde escolher... Mas só há uma pancada que está em perfeita harmonia com o "Campo". Uma pancada que é a sua... autêntica pancada. E essa pancada vai escolhê-lo. Há uma pancada perfeita ali adiante à nossa espera. Só temos de deixar-lhe o caminho livre. Deixá-la escolher-nos... Repare nele. Ele está no "Campo". Vê aquela bandeira? É um dragão que tem que abater... Mas se olhar com atenção, verá o local onde as marés, as estações e a rotação da terra... todas se unem. E tudo o que existe torna-se num todo. Tem que percorrer esse local com a alma, Junuh.

...

Bagger e Junuh:
Bagger – Estou a falar num jogo que não se ganha, joga-se.
Junuh – Tu não compreendes.
Bagger – Não preciso de compreender... Não há um único ser na terra que não carregue um fardo sem saber porquê. Não é o único... Mas já carrega esse fardo há bastante tempo. Está na altura de libertar-se dele.
Junuh – Não sei como!
Bagger – Pode escolher: desistir ou recomeçar.
Junuh – Recomeçar?
Bagger – Caminhar.
Junuh – Onde?
Bagger – Voltar ao que sempre foi. E depois quedar-se ali. Quieto. Muito quieto. E recordar.
Junuh – Foi há muito tempo.
Bagger – Não, foi há instantes. Mas já é tempo de abandonar os seus fantasmas. Tempo de optar.
Junuh – Não consigo.
Bagger – Consegue sim. Lembre-se que não está sozinho. Eu estou aqui. Sempre estive... Agora jogue o jogo. O seu jogo. Aquele que só você pode jogar. Aquele que lhe foi dado quando veio a este mundo... Lembre-se do seu swing...

...