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Tuesday, September 09, 2008

Sonho é destino.

"Há uma venerável tradição de feiticeiros, xamãs e visionários que aperfeiçoaram a arte da viagem onírica, o chamado estado de sonho lúcido, onde, ao controlarmos os sonhos, ao nos mantermos conscientes durante os sonhos, podemos descobrir coisas para lá da nossa apreensão no estado de vigília."

"Dizem que os sonhos só são reais enquanto duram. Não podemos dizer o mesmo da vida?"

"Muitos de nós cartografamos a relação entre mente e corpo dos sonhos. Somos chamados onironautas, exploradores do mundo dos sonhos."

"Há dois estados de consciência opostos, que não se opõem de todo. Na vigília, o sistema neurológico inibe a nitidez das recordações. Faz sentido a nível evolucionário. Seria inadaptado se um predador fosse enganado pela recordação de uma presa e vice-versa. Se a recordação de um predador invocasse uma imagem mental, correríamos sempre ao ter uma ideia assustadora. Os neurónios seratónicos inibem as alucinações. Mas eles próprios estão inibidos durante o sono. Isto permite os sonhos parecerem reais, mas impede a competição de outras percepções. É por isso que se confudem sonhos com a realidade. Para o sistema funcional da actividade neurológica que cria o mundo não há diferença entre sonhar uma percepção e uma acção e, na verdade, a percepção e a acção em vigília."

"Um amigo disse-me uma vez que o pior erro que se comete é pensar-se que se está vivo quando, de facto, se dorme na sala de espera da vida. O truque é combinar as capacidades racionais da vigília com as possibilidades infinitas dos sonhos. Porque se conseguirmos isso, conseguimos tudo."

"... ajudar as pessoas a ficarem lúcidas.
Elimina-se o medo e a ansiedade e depois é só rock'n'roll. "

"«Ficar lúcido significa saber que se está a sonhar?» Sim. Depois, podemos controlar os sonhos. São mais realistas que os sonhos não-lúcidos. "

"Antes de mais, tens de perceber que estás a sonhar. Reconhecê-lo. Tens de ser capaz de te perguntar: «É um sonho?» A maioria das pessoas nunca se pergunta isso, acordada ou a dormir."
"Dizem que o sonho está morto. Já ninguém o faz... Não está morto, foi apenas esquecido, retirado da nossa língua. Ninguém o ensina, por isso, ninguém sabe que existe. O sonhador foi banido para a obscuridade. Estou a tentar mudar isso, espero que também tu estejas, ao sonhares todos os dias."

"Sonhando com as nossas mãos e mentes..."

"Exercita a tua mente plenamente, sabendo que é só um exercício. Constrói objectos, resolve problemas, explora os segredos do universo. Saboreia o que captam os sentidos. Sente alegria, mágoa, riso, empatia. E leva a memória na mala de viagem."

"Pensamos que estamos tão limitados pelo mundo e pelos confins, mas estamos apenas a criá-los."

"Continua a tentar perceber o universo mas, agora que sabes que sonhas, podes fazer qualquer coisa. Estás a dormir, mas acordado. Tens tantas opções... e a vida resume-se a isso."

"Examina a natureza de tudo o que observas.
Podes dar contigo a atravessar um parque de estacionamento onírico. E, sim, são pés de sonho dentro dos teus sapatos de sonho. Parte do teu sonho. Portanto, a pessoa que pareces ser no sonho não pode ser quem és realmente. É uma imagem, um modelo mental."

"Durante anos, a noção de que a vida é um sonho tem sido tema difuso de filósofos e poetas. Não faz sentido que a morte esteja envolta num sonho? Que, após a morte, a vida consciente continue num corpo onírico? Seria o mesmo corpo onírico que na vida onírica de todos os dias, só que, no estado pós-mortal, não poderias voltar a acordar. Nunca mais voltarias ao corpo físico."

"... O que somos é apenas esta estrutura lógica. Um lugar para albergar, temporariamente, todas as abstracções. É altura de nos tornarmos conscientes, e dar forma e coerência ao mistério. Fazer parte disso é uma dádiva."


WAKING LIFE, RICHARD LINKLATER

Um sonho de uma onironauta:

Para recomeçar... do começo.

"Recuso-me a ver o existêncialismo como apenas outra moda ou curiosidade histórica, pois era algo importante a oferecer ao novo século. Receio que estejamos a perder as virtudes de viver apaixonadamente, assumindo responsabilidade por quem somos... fazendo algo por nós e estando bem com a vida. O existêncialismo é discutido como uma filosofia do desespero, mas acho que é o oposto. Uma vez, Sartre disse que nunca sentiu um dia de desespero na vida. Uma coisa que nos chega da leitura destes autores, não é tanto uma sensação de angústia mas, uma espécie de exuberância de se sentir acima da própria vida. É como se a vida fosse para ser criada por nós."

"... os nossos actos fazem diferença."

"A mensagem é: nunca devemos anular-nos e ver-nos como vítimas de várias forças. Quem somos é sempre decisão nossa."

"A demanda é ser-se libertado do negativismo, que é realmente a nossa própria tendência para o nada. Em se dizendo «SIM» ao instante, a afirmação é contagiosa. Explode numa corrente de afirmações que não conhece limite. Dizer «SIM» a um instante é dizer «SIM» a toda a existência."

"O momento não é apenas um vazio passageiro, um nada... é um vazio com tal volume que o grande momento, a grande vida do universo está a pulsar nele. E cada um, cada objecto, cada lugar, cada acto, deixa uma marca..."

"Sabes o que Benedict Anderson diz da identidade? Ele fala, por exemplo, de um fotografia de bebé. Pegas numa imagem a duas dimensões e dizes: «sou eu». Para realmente relacionares este bebé da imagem contigo mesmo, actualmente, tens de criar uma história. É necessária uma história, que é na verdade ficção, para te tornar a ti e ao bebé idênticos. Para criar a identidade.
As nossas células regeneram-se completamente de sete em sete anos... Fomos a todos os níveis várias pessoas diferentes. Contudo, permanecemos essencialmente nós mesmos sempre."

"Nós, os inquietos, continuamos à procura... preenchedo silêncios com desejos, medos e fantasias. Induzidos pelo facto de que, por mais vazio que o mundo parecesse, por mais degradado e gasto... tudo era possível. Dadas as circunstâncias certas, um novo mundo era tão provável como o velho."



"Se o mundo é falso e nada é verdadeiro, tudo é possível."



"Há dois tipos de sofredores: os que sofrem por falta de vida e os que sofrem por excesso de vida."

"O fosso entre Platão ou Nietzsche e o homem comum é maior do que aquele que existe entre o chimpanzé e o homem comum. O domínio do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, raramente é atingido. Porquê tão poucos? Por que razão a história e a evolução não são histórias de progresso mas uma interminável e fútil adição de zeros? Não se desenvolveram valores mais nobres. Os gregos, há 3 mil anos, eram tão avançados como nós. Quais são as barreiras que impedem as pessoas de alcançarem o seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada noutra pergunta, que é: qual é a característica humana mais universal? O medo ou a perguiça?"

"Não espero o futuro antecipando salvação, absolvição ou sequer esclarecimento. Acredito que esta perfeição defeituosa é suficiente e completa em todos os inefáveis momentos."
"A afirmação da liberdade resume-se à negação da limitação."


WAKING LIFE, RICHARD LINKLATER