Showing posts with label rituais. Show all posts
Showing posts with label rituais. Show all posts

Wednesday, May 26, 2010

O regresso aos rituais

Creio que chegou o tempo de vivenciarmos o ritual. Mais uma vez vou citar Tom Graves, que nos diz que uma das formas de controlarmos a matriz de energia é o ritual. Nós e a Terra-Mãe precisamos de ser curados e também eu não vejo outra solução que não seja o regresso ao ciclo eterno dos rituais mantidos pelas comunidades pagãs. Esses rituais possuem um efeito real na matriz. Mas a nossa cultura civilizada tem-se vindo a certificar de que os velhos rituais que ainda sobrevivem percam gradualmente o significado.

Possivelmente, a única atenção ritualística que a terra recebe actualmente é a libação semanal da água suja e cheia de sabão, fruto do ritual urbano do "dia das limpezas" ou do ritual suburbano da "lavagem do carro". E, quer gostemos ou não, é o que fazemos, é o que ensinamos aos nossos filhos.

Se conseguirmos ver os rituais como aquilo que eles realmente são (não como superstições ou jogos, mas sim como ferramentas ou construções com efeitos reais) poderemos então compreender a sua importância e o seu valor como parte de uma reintrodução da consciência pagã na nossa cultura civilizada padecente.

Por favor, não me digam que não acreditam na magia e no sobrenatural. Eu não quero saber. Eu não apelo à vossa fé. Apelo à acção. Eu quero que os velhos rituais se voltem a fazer, que os façam, quer acreditem neles ou não, mas que os façam... e que deixem a energia fluir.

E, de resto, o que é a magia, o que é o sobrenatural? Aquilo que negamos porque não o conseguimos explicar? Chamamos a essas coisas o «sobrenatural» e dizemos que elas não podem acontecer ou existir, dado que estão situadas para além dos limites da nossa visão limitada da Natureza que a ciência e a religião exigem. Mas, essas coisas são aspectos da realidade da Natureza, mas não são exteriores ao que é natural. Aquilo que não é natural é a nossa ciência, a nossa religião e a nossa economia. Porque todas elas são conduzidas numa total e deliberada ignorância face à Natureza, na crença ou esperança de que um dia seja ela a mudar de modo a satisfazer comodamente as nossas necessidades. Dá-nos uma agradável ilusão de controlo, mas que não é natural e que constitui uma verdadeira loucura, em todos os sentidos da palavra.

Precisamos voltar a reconhecer a velha matriz de energia que percorre os lugares antigos, que passa pelos menires e pelas antas. Precisamos recuperar o velho saber ligado à magia. É a magia (em todos os sentidos) que a nossa civilização perdeu, soterrada por coisas pouco fidedignas como a ciência ignorante e a religião arrogante. E é de magia (mais uma vez, em todos os sentidos) que a nossa civilização necessita se quiser recuperar a sua sanidade, a sua alegria e a sua razão de viver.

Se quisermos que a nossa cultura recupere os seus magos (os seus «sábios»), teremos que recuperar a nossa consciência da Natureza, a nossa consciência de mágicos. Como os mágicos e como mágicos, necessitamos de aprender a conhecer-nos. Precisamos de aprender a sentir as necessidades da terra, de modo a que possamos aprender não só a dominá-la mas também, simultaneamente, a enchê-la. Para isso são necessárias alterações radicais à nossa cosmovisão. Necessária e literalmente alterações radicais, dado que precisaremos de recuperar uma consciência das nossas raízes (quer em termos do nosso passado, quer da Natureza), de modo a torná-las realidade.

Excertos do livro Agulhas de Pedra de Tom Graves.

Wednesday, February 03, 2010

Velhos rituais

A velha amassava o pão, levantando em círculos a massa, de farinha de centeio. As mãos elevavam a massa. As palmas voltadas para o corpo da velha, subiam e desciam, sempre em círculos, num movimento de dentro para fora. A massa era batida. Mas, se a farinha fosse de trigo, o movimento era outro. O pão era amassado em suaves movimentos circulares, ao longo da masseira, sem nunca levantar nem bater a massa.

A velha dividia a massa, criando pães redondos, que colocava a levedar. Benzendo cada um dele: “S. Mamede te levede, S. Vicente te acrescente, S. João te faça pão”. Sem esse velho gesto, outrora livre e pagão, agora cristianizado, o processo não estava completo.

Enquanto o pão levedava, a velha começava a aquecer o antigo forno comunitário, também de formato circular, feito de pedras de granito escurecidas e gastas. Aquecer o forno era igualmente um acto ritual, onde tudo se fazia como sempre se fez, começando com as giestas e acabando com os feixes de vides, pelo meio outra lenha era queimada, inebriando a velha com o aroma intenso da esteva e reconfortando-a com o suave crepitar da oliveira.

Neste ritual do pão, o círculo estava sempre presente, do princípio ao fim. Mas, agora era outro tempo. E ao acabar de colocar o pão no forno, a velha fazia com a pá uma cruz na entrada do forno, antes de o fechar. Mas nem sempre foi assim. E, na memória, ainda ficou o nome para esse gesto final: “talhar o forno”.

O pão era sagrado. E a velha apanhava-o e beijava-o quando este caía ao chão. O pão que se comia até à última migalha. E quando um daqueles grandes pães acabava, era sempre a velha quem encetava outro, benzendo-o novamente quando cortava a primeira fatia.

O pão estava sempre presente, na mesa de todos os dias e nas festas. O cesto de pão que a velha distribuía às vizinhas, quando em casa nascia mais uma criança. Ou o carolo que a velha trazia do mortório e comia mais tarde, sozinha e em silêncio, para dar paz ao defunto. O pão participava do nascimento e da morte.

Friday, October 03, 2008

Ritual

Comece por invocar o seu círculo sagrado. Diga: "Invoco o meu círculo sagrado". Imagine que do infinito surge uma imensa esfera, composta por uma camada de Ar, outra de Fogo, outra de Água e no centro Terra.

Visualize-se a projectar-se no ar, a ir ao encontro da sua esfera. Veja-se a vir de Leste, dê três passos e entre no seu círculo sagrado composto pelo Ar Primordial, pelo Sopro Divino. Sinta à sua volta a força do Ar, deixe que essa energia o guie, deixe que essa energia trabalhe dentro de si. Sinta o poder da INTENÇÃO.

Na sua mente diga alto e bom som o que pretende, diga-o de um modo positivo. Repita três vezes. Sinta o Verbo dentro de si, tornando possíveis as suas palavras, dando-lhes SER.

Avance agora para Sul, passe do círculo de Ar para o elemento imediatamente seguinte: o Fogo. À medida que atravessa o círculo composto por Fogo Primordial, sinta esta energia primitiva a passar por si e a purificá-lo.

Enquanto atravessa o círculo de Fogo, o seu problema é desfeito pela Energia Pura, e os pensamentos negativos ou obstáculos que se ocultavam atrás desse problema são agora revelados. Não procure os pensamentos negativos, permita apenas que venham à superfície à medida que atravessa o círculo de Fogo, à medida que se purifica.

À medida que os pensamentos negativos e os obstáculos são purificados, dá-se uma transmutação de energia, criando assim à sua volta súbitas e poderosas explosões de energia que foi purificada, sendo agora positiva.

Imagine essa energia a alimentar aquilo que quer que aconteça, imagine essa energia positiva a solucionar-lhe o problema. Sinta a força da TRANSMUTAÇÃO da energia.

Avance agora para Oeste, passe do círculo de Fogo para o próximo elemento: a Água. Deixe-se flutuar dentro da Água Primordial, sinta o seu poder curador. Sinta a força da Água da Vida a actuar em si, sinta GERMINAR no seu subconsciente e no plano espiritual aquilo que quer que surja na sua vida.

Avance agora para Norte, passe para o círculo sagrado da Terra Primordal, uma maravilhosa ilha no meio dos outros elementos. Deixe os seus pés enterrarem-se um pouco na Terra negra e macia. Sinta a fertilidade da Terra a subir por todo o seu corpo, partindo dos seus pés. Sinta a força Viva da Terra a actuar em si, sinta FRUTIFICAR no seu consciente e no plano material aquilo que quer que surja na sua vida.

Caminhe até ao Leste e complete o seu círculo sagrado. Dirija-se agora ao centro do seu círculo.

Olhe para o céu infinito por cima de si e sinta-se UM com o universo. Seja Espírito Puro. Seja uno com a fonte de todas as possibilidades... Dê agora um momento da sua atenção à visualização da vivência do problema resolvido. Sinta-se como se já tivesse acontecido. Agradeça.

Agradeça também a presença do Espírito, agradeça a força da intenção do AR, a força da purificação do Fogo, a força da germinação da Água e a força da frutificação da Terra.

Fique em silêncio mais uns minutos e agradeça todas as provações por que tem passado e os momentos felizes que viveu.

O seu círculo mágico está fora do tempo/espaço profano, assim, o seu círculo mágico estará sempre ali, no tempo/espaço sagrado, para si, à sua espera. E poderá voltar sempre que desejar àquele lugar que não pertence a lugar nenhum, àquele tempo que não pertence a tempo nenhum.

Olhe uma vez mais o céu por cima de si e veja o seu círculo sagrado, de todos e cada um dos elementos primordiais, partir para o infinito...